quinta-feira, 27 de junho de 2013

Personagens mais marcantes do Cinema no Século XXI (até aqui)

Por Diego Bauer

O que o cinema já trouxe de melhor nestes últimos 13 anos.

O título dessa lista é realmente bastante pretensioso, pois o que define um bom personagem? Uma boa interpretação? Um bom roteiro? Uma boa direção? O fato do filme do qual o personagem faz parte ter feito sucesso de público e crítica? Tudo isso? Ou nada disso?

Pois é, também não sei responder com certeza absoluta. Então decidi colocar aqui nessa lista um misto de tudo, personagens que foram interpretados com atuações memoráveis, que foram criados de maneira genial em um roteiro, que tenham sido alçados ao sucesso graças a uma direção inteligente, ou os que se tornaram ícones pop muito mais pela reação do público ao trabalho.

Como toda lista é muito ingrata e injusta, tive de criar mecanismos para que ela fosse menos difícil de ser feita, portanto decidi não considerar personagens da vida real que foram levados ao cinema, pois acho que seria mais interessante se neste espaço abordássemos apenas personagens ficcionais.

{Me dói o coração deixar de fora, por exemplo, personagens como Harvey Milk [Milk – A Voz Da Igualdade (2009)]; Edith Piaf [Piaf – Um Hino Ao Amor (2007)]; Idi Amin [O Último Rei Da Escócia (2007)]; Ray Charles [Ray (2004)]; e David Frost e Richard Nixon [Frost/Nixon (2009)]}.

Também tentei deixar a lista o mais variada possível, tentando fazer com que ela abordasse os mais diferentes gêneros cinematográficos, atores, diretores e países (no caso os países de origens dos personagens, não necessariamente dos filmes).

Se não se importam, me permiti inserir menções honrosas, além de ter organizado a lista em ordem alfabética, me poupando de definir quem é melhor que quem.

Bom, chega de falatório. Sei que inevitavelmente muitos nomes serão esquecidos, e conto com os comentários de vocês pra que mais nomes sejam incluídos aqui.

Anton Chigurh (Javier Bardem)

Apenas no último segundo decidi pelo personagem interpretado por Javier Bardem em Onde Os Fracos Não Tem Vez (2008). Isso porque no mesmo ano tivemos o sensacional trabalho de Daniel Day Lewis em Sangue Negro (2008), e… como é que faz pra se definir quem é “melhor”?

Decidi optar pelo primeiro, que consegue causar um impacto maior no espectador, criando um personagem interessantíssimo de se ver seja em que camada do filme a pessoa esteja. Analisando o filme de maneira apressada e negligente, ou o encarando com atenção aos detalhes e as sutilezas do papel, de todas as formas não há como não se impressionar com a força cênica empregada por este talentosíssimo ator que, acredito, criou um dos melhores vilões que o cinema já viu.

Tudo isso sem contar o fato de que ele foi dirigido pelos sempre certeiros Irmãos Coen, que inserindo Anton Chigurh numa busca implacável por dinheiro, fizeram um dos melhores filmes deste século.

P.S. Dos Irmãos Coen também vale muito destacar o impagável Chad Feldheimer, interpretado por Brad Pitt em Queime Depois de Ler (2008).

Borat Sagdiyev (Sacha Baron Cohen)

Por que que no cinema a comédia é subestimada? No teatro é um consenso entre aqueles que o fazem há bastante tempo que a comédia exige mais do ator do que o drama, que é necessário um domínio da técnica ainda maior, e os que conseguem fazer bem um papel cômico são considerados capazes de fazer qualquer papel dramático.

E é incrível como eu já vi gente falando mal de Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América (2006), dizendo que este é um filme inconsequente, que não faz nada além de piadas isoladas, e que tem apenas um personagem engraçado que faz rir de vez em quando.

Sinto discordar imensamente disso, pois Borat é uma forte crítica aos Estados Unidos e aos seus americanos, utilizando um humor, por vezes absurdo, mas que sempre consegue dar as suas alfinetadas de maneira inteligente e sutil.

E tudo isso conduzido por um fenomenal trabalho de ator de Sacha Baron Cohen, que criou um personagem brilhante, responsável por todo o barulho que o filme fez ao redor do mundo. Não sei vocês, mas creio que este é um nome indispensável na lista.

Capitão Nascimento (Wagner Moura)

Na hora de pensar os primeiros nomes a colocar aqui, logo de cara me veio a mente o nome de Zé Pequeno do genial Cidade de Deus (2002). Já tava certo de que ele iria entrar na lista, quando fui lembrado por minha companheira de que se fosse por ser personagem marcante, o nome do Capitão Nascimento teria mais força.

E realmente não há como negar.

O nome Capitão Nascimento tornou-se até mais forte do que Tropa de Elite(2007), virou ícone pop brasileiro, seus bordões ganharam o Brasil (chegou um tempo que não dava mais pra aguentar neguinho dizendo: PEDE PRA SAIR!!!), e fez com que Wagner Moura se tornasse o ator brasileiro da sua geração mais respeitado pelo público, iniciando até carreira internacional.

Além do fato de ter sido o protagonista do filme de maior bilheteria da história do Brasil, o Capitão Nascimento tornou-se uma espécie de ícone da moralidade, deixando claro que a sua imagem foi bastante deturpada, talvez pela necessidade que o brasileiro tenha de criar heróis e modelos para se admirar.

Coringa (Heath Ledger)

Talvez quase tenhamos uma unanimidade aqui.

O Coringa em O Cavaleiro das Trevas (2008) marcou o auge da carreira de Heath Ledger, um ator que vinha mostrando ter cada vez mais talento, estabelecendo uma prematura solidez nos seus trabalhos, que com este personagem chegou onde muito ator veterano nem chegou perto.

Com a atmosfera criada por Christopher Nolan e pela atuação de Ledger, o Coringa, que antes era uma figura que nos fazia rir pela caricatura na qual era envolvida, foi criado aqui de maneira tão diferente e perturbadoramente real, que se tornou aterrorizante, uma figura capaz de gerar um medo genuíno na plateia, estabelecendo um riquíssimo personagem, em um gênero que opta na sua esmagadora maioria por estereótipos carismáticos, duvidando sempre da inteligência do público.

Pena que este foi o último trabalho de Ledger, que prometia uma carreira com novos pontos altos como este.

Gollum (Andy Serkis)

Marco absoluto da evolução dos efeitos visuais no cinema, Gollum é um daqueles personagens que foram crescendo no decorrer da história, e quando chegou o fim, o seu nome era certamente um dos mais lembrados entre aqueles que assistiram a Trilogia O Senhor dos Anéis.

Além de ser um papel extremamente bem construído, com um arco dramático muito bem pensado e desenvolvido, a atuação de Andy Serkis eleva este personagem a um outro patamar, tornando-o dono de uma vida própria, cheia de ricas particularidades.

E se me permitem uma opinião, o melhor momento de Gollum no cinema é emO Hobbit – Uma Jornada Inesperada (2012), naquele memorável diálogo com Bilbo, numa cena bem diferente do que o cinema comercial normalmente nos proporciona.

Hanz Landa (Christoph Waltz)

Não tinha como faltar um personagem de Quentin Tarantino aqui.

O autor que sempre demonstrou uma atenção especial com os personagens que cria, desde sempre nos brindou com pessoas inacreditavelmente reais, cheias de particularidades e de personalidade marcante.

Neste século poderíamos citar A Noiva, interpretada por Uma Thurman em Kill Bill I e II (2004); Dublê Mike, Kurt Russell em À Prova de Morte (2010); Aldo Raine, Brad Pitt, e O Urso Judeu, Eli Roth em Bastardos Inglórios (2009); ou ainda Calvin Candie, Leonardo DiCaprio em Django Livre (2013).

Mas sem dúvida o personagem mais completo é o coronel da SS Hanz Landa, interpretado de maneira brilhante por Christoph Waltz, que é uma soma de elementos tão distintos numa pessoa só, que ouso dizer que este é o personagem mais completo criado por Tarantino.

A cena de abertura de Bastardos é uma das melhores coisas que já vi no cinema em toda a minha vida, e ela é conduzida por um personagem nada menos que inesquecível.

Jack Sparrow (Johnny Depp)

Chega a ser interessante ver o atual desprestígio de Johnny Depp perante o público, pois me lembro muito bem que quando Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra (2003) foi lançado, o seu nome tinha uma força muito grande, talvez o de maior envergadura em Hollywood.

O tempo foi passando, as continuações de Piratas do Caribe foram ficando cada vez menos interessantes, os filmes nos quais o ator se meteu foram fazendo cada vez menos sucesso, e hoje em dia a situação dele está como está.

Mas não podemos ser injustos e nem ter memória curta, pois o pirata que se agarrou a tartarugas marinhas para fugir da morte é um divertidíssimo personagem, e fez por merecer ganhar a atenção que ganhou.

Incentivando Depp a investir na sua veia cômica, Sparrow consegue ser engraçado, preguiçoso e de caráter duvidoso sem perder a valentia e até uma certa nobreza, tornando-se um símbolo do que o que de melhor o cinemão norte-americano pode fazer.

Joe Cooper (Matthew McConaughey)

Este talvez seja o nome menos conhecido da lista, e é bem capaz que muita gente nem saiba a existência de Killer Joe – Matador de Aluguel (2013), do veterano Willian Friedkin.

Então aqui confesso que assumo uma função quase que social, visando o objetivo de levar ao maior número de pessoas o conhecimento deste filme, e principalmente do seu protagonista, Joe Cooper, interpretado por Matthew McConaughey.

Pra quem acha que este ator não representa muita confiança, que ele é o cara das comédias românticas descartáveis, limitado, que ninguém leva a sério, saiba que ele vem em uma fase fenomenal, e que aqui nos brinda com uma atuação bem difícil de descrever.

Aliás, é bem difícil de descrever não só a atuação, mas também o personagem, e as situações criadas por ele, que ultrapassa a linha do previsível e do “bom senso”, e caminha por lugares estranhos, provocando sensações que normalmente não temos ao assistir filmes banais que estreiam todo final de semana.

Fica difícil falar muita coisa pois não quero passar spoilers, mas o que posso dizer é que o desfecho desse filme é o ápice de um personagem perturbador, que deixa uma inquietação que esperei sentir por toda uma vida.

Olive Hoover (Abigail Breslin)

O coração falou mais alto, e tive que colocar um dos personagens de um dos meus filmes favoritos da década, o adorável Pequena Miss Sunshine (2006). Mas no meio de personas tão marcantes, bem estabelecidas, e tão variadas, qual delas merecia ter um destaque maior?

Optei por Olive, pois é no personagem dela que está a maior crítica do filme.

Mesmo sendo uma comédia de humor leve, Pequena faz uma dura crítica aos concursos de beleza infantis, e toda a “máfia” que está envolta nisso. E a maneira como ele faz pra evidenciar essa questão é simples, mas é incrível como isso é cada vez menos mostrado no cinema e na televisão atual: Olive é apenas uma criança, e age como tal!

Muito diferente do que as crianças Nicks que pululam na telona e telinha, com garotos e garotas com síndrome de adultos, sempre com respostas espertinhas, ironias mal educadas, querendo imitar o comportamento e a aparência das estrelas da TV, empanturrando-se de maquiagem, com um sorriso falso, e respostas pré-fabricadas pra tudo, e isso com a certeza de que ser famosa, estar na TV e ficar perto dos famosos é a melhor coisa que uma criança pode sonhar.

Olive é mais bonita, simpática e marcante justamente por não ter nada disso, e por consequência é um dos personagens mais adoráveis deste século.

Shrek (Mike Myers)

Neste século o domínio das animações é claramente da Pixar, com filmes e personagens marcantes como Dory, Procurando Nemo (2003); WALL-E (2008); Anton Ego, Ratatouille (2007); Woody e Buzz, Toy Story 3 (2010), etc. Mas se tivermos que escolher um dentre todas as animações deste século, não há como deixar de fora o ogro mais querido do mundo.

Shrek (2001), filme da Dreamworks, representa o apogeu do estilo de metalinguagem e cultura pop inserido nas animações, reforçando a ideia de fazer com que os filmes também fossem apreciados por adultos.

Estabelecendo uma química perfeita com o Burro e Fiona, o estilo bruto e ranzinza de Shrek o torna irresistível com o passar do tempo, estabelecendo um forte sentimento de simpatia por aquele ser, que passa por uma transformação no decorrer da história que consegue convencer, fugindo de maneira eficaz de possíveis sentimentalismos.

É claro que as continuações não conseguiram manter o mesmo nível de qualidade do primeiro trabalho, mas ainda assim Shrek cumpriu papel importante para que o cinema de animação chegasse ao patamar que chegou.

MENÇÃO HONROSA – HOLY MOTORS

Gostaria de rapidamente, antes de finalizar, deixar uma menção honrosa a todos os personagens interpretados por Denis Lavant em Holy Motors (2012). Seria besteira citar apenas um nome, portanto deixo aqui a menção a todos os personagens interpretados por este ator neste excelente filme.

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