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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O Hobbit leva tecnologia de 48 quadros por segundo ao cinema

Filme O Hobbit: Uma Jornada Inesperada levará experiência de gravação em 48 quadros por segundo às telonas
Foto: Divulgação

Quando os personagens Bilbo Bolseiro e o mago Gandalf surgirem nas telonas em 14 de dezembro deste ano, uma nova experiência no mundo cinematográfico será posta à prova. Para o filme O Hobbit: Uma Jornada Inesperada , o diretor Peter Jackson - responsável também pela trilogia O Senhor dos Anéis, ambas inspiradas na obra de J.R.R. Tolkien - utilizou uma tecnologia de gravação de 48 quadros por segundo (frames per second, ou fps), o dobro da taxa padrão de 24 fps utilizada em quase todos os filmes. O resultado vem suscitando opiniões divergentes sobre o futuro do uso da tecnologia.

A estranheza é causada justamente pela qualidade da imagem. Na CinemaCon, convenção para exibidores que ocorreu em Las Vegas no primeiro semestre deste ano, uma projeção de 10 minutos do filme dividiu as opiniões entre os que aprovaram e os que se mostraram impactados pela mudança. Segundo o professor de linguagem cinematográfica da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) David Pennington, a sensação de fluidez é rompida pela riqueza de detalhes, provocando certa "cintilação" da imagem.

Cenas de movimento mudam
Os espectadores podem perceber a diferença principalmente nas cenas de movimento. Em um filme feito em 24 fps, o tempo de exposição relativamente longo faz com que as pernas de uma pessoa correndo, por exemplo, fiquem borradas. "Quando o filme está projetado, isso dá uma impressão de movimento natural", explica Pennington. Já na versão de 48 fps, a velocidade de captação faz com que as pernas fiquem perfeitamente delineadas. "Fica estranho. Não se tem a sensação subjetiva de movimento. A imagem fica mais fragmentada", detalha o professor.

As novas experiências no cinema também têm uma implicação mercadológica, analisa Pennington. É preciso apresentar inovações para atrair e obter retorno do público. Mas, mesmo com outras tentativas bem-sucedidas como o 3D, o professor da UnB não acredita em uma mudança imediata de padrão - até porque implicaria a troca de equipamentos. Pennington lembra que as gravações em 24 fps se consolidaram como um padrão universal na gravação de filmes ainda na década de 30 e, desde então, outras tecnologias foram testadas sem que ele fosse substituído. "Estamos no meio de um mar de experiências para chegar a um padrão digital. Apesar das novidades, acho que o padrão de 24 quadros vai perdurar por um bom tempo", aposta.


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