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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

SEXTANIMAL - Falta de abrigos sobrecarrega protetores de animais abandonados





Por: Simone Schettino 01/02/2012

Homem de 61 anos cuida de 70 cachorros e instituições tentam dar suporte. De acordo com Vigilância Sanitária de Niterói, uma residência pode abrigar até dez animais

Não são poucos os casos de animais de estimação que são abandonados nas ruas. Em Itaipu, o desempregado Jorge Gomes Silva, de 61 anos, tem 70 animais. Mas a quantidade está próxima de aumentar. Isso porque ele foi despejado do terreno onde mora há 30 anos e vai se mudar para a casa de uma aposentada, que já possui outros 20 animais. Glória de Souza, de 67 anos, conta que pretende deixar para ele tanto a casa quanto os bichos.


“Vou levar apenas os três que ficam comigo dentro de casa. Os outros vou deixar no terreno para o Seu Jorge”, revela.


A Lei Estadual 4808 prevê que o destino desses animais não pode ser o sacrifício, mas castração e adoção. Já o artigo 10 da Lei Municipal  726, de 1988, prevê que “os atos de apreensão de animais não podem dispor de meios cruéis ou que atentem contra a vida dos mesmos”. Como Niterói não tem abrigos públicos, protetores acabam recebendo os cães e gatos em caráter provisório e se tornam depósitos irregulares de animais.


De acordo com o chefe da Vigilância Sanitária de Niterói, Zamir Martins, uma residência pode abrigar, no máximo, dez animais. “Mais que isso caracteriza uma criação e ele precisa ter licença da Vigilância Sanitária para funcionar adequadamente e passar pelas ações de fiscalização da destinação de dejetos, guarda de alimentos, oferta e qualidade da água, além de precisar comprovar assistência veterinária”, esclarece.


Martins alerta que o excesso de cães confinados num espaço considerado impróprio pode favorecer a disseminação de doenças como sarna.


A presidente da Sociedade Niteroiense de Proteção Animal (Sonipa), Marlene Oliveira, é solidária ao cuidador. “Todo mês eu castro pelo menos um cachorro dele. O que acontece é que as pessoas não param de deixar bichos ali”, reclamou.


Para ela, a mudança de Seu Jorge vai ser prejudicial não só aos animais – porque o espaço é menor – mas também a quem ajuda. “Vai ficar difícil até das protetoras levarem ração para ele porque é uma subida íngreme”, enfatiza.


Já a presidente da Sociedade União Internacional Protetora dos Animais (Suipa), Izabel Cristina Nascimento, qualifica Seu Jorge como um protetor e conta que já o ajudou muitas vezes castrando animais abandonados.


“O problema são as pessoas que compram animais e depois abandonam. Vender animais na rua é crime previsto na Lei Estadual 4808, no artigo 22, que precisa de fiscalização”, opinou.


Ela disse ainda que a Suipa tem um trailer móvel que faz campanhas de castração a preços populares que está à disposição da Prefeitura de Niterói para eventuais campanhas.


“Já fizemos uma ação aí (em Niterói) mas foi isolada e aconteceu há alguns anos. Infelizmente a parceria com a administração municipal, naquela época, não vingou”, comentou.


Adoção – O secretário de Projetos Especiais, Gerard Sardo, explicou que, em Niterói, existe a campanha “Adote um amigo”. Para participar a pessoa que tem um animal para doar precisa se cadastrar pelo e-mail niteroi.smpe@gmail.com. Ele avisa que os animais passam por uma triagem antes das feiras.


“Só permitimos participação de animais aprovados pela comissão de gestão. Eles precisam estar vacinados para não expormos os outros animais a uma possível contaminação”, justifica.


A ação acontece sempre no primeiro domingo de cada mês, no Campo de São Bento, de 9 às 14horas, e no terceiro sábado de cada mês, no Trevo da Avenida Central, das 10 às 15 horas.


O FLUMINENSE
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