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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Gus Monsanto: novo vocalista da banda de Herman Rarebell

Após ter trabalhado por alguns anos com o guitarrista Timo Tolkki no Revolution Renaissance, o que você achou do comunicado dele encerrando a carreira?
Monsanto: Acho que desde a época da ruptura com o Stratovarius e aquela questão de ceder os direitos para os outros membros, ele quis criar uma controvérsia com os fãs, como o Portnoy também fez com o Dream Theater. Tanto o Timo quanto o Portnoy, na cabeça deles, eram maiores que a banda. Eles subestimaram todos os anos de trabalho dessas bandas. E na verdade, marcas como Iron Maiden, Stratovarius, Dream Theater, são muito maiores que um integrante só.

Monsanto: Quando o Timo comunicou que o Revolution Renaissance não iria continuar, alguns fãs comentaram que a vendagem foi baixa, que a banda não conseguia agendar muitos shows; e algum tempo depois, o Timo criou o Symfonia. Ele deve ter pensado: “Com esse time não tem como dar errado!” Andre Matos (ex-Angra/ex-Shaaman), Uli Kuschi (Helloween), Mikko Härkin (Sonata Arctica), enfim, um super grupo, mas que também acabou em pouco tempo. Se formos verificar os números, o Revolution Renaissance vendeu mais que o Symfonia, mesmo com todos esses nomes! O “Age Of Aquarius” (*) foi um dos melhores discos que eu já fiz.

(*) N.da E.: “Age Of Aquarius” foi o segundo álbum do Revolution Renaissance e o primeiro com Gus Monsanto nos vocais.

Monsanto: O trabalho foi feito por mim, Bruno Agra (baterista) e Tolkki, em que eu compus várias letras, o Timo fez as músicas, o Bruno participou dos arranjos, e o Timo ficou surpreso com o nosso trabalho de equipe! Ele estava acostumado com o processo de composição do Stratovarius em que ele já apresentava tudo pronto! E com a gente foi diferente. Sobre a questão dele não tocar os solos nos dois discos, ele estava numa fase em que não queria mais se aprofundar tanto. Ele estava interessado em outras coisas, como fotografia, internet, e na época em que essa notícia foi divulgada, muita gente me perguntava sobre isso, mas se as pessoas prestarem atenção na discografia do Stratovarius e nos discos do Revolution Renaissance, a forma de tocar guitarra é totalmente diferente!

Monsanto: Como a repercussão do “Age Of Aquarius” não foi o que o Timo esperava, ele propôs que a gente fizesse uma fórmula pronta para o “Trinity” (terceiro CD), que os fãs do Stratovarius já estivessem acostumados, e ficou uma coisa premeditada. Na minha opinião não é um disco ruim, tem algumas faixas muito boas, mas não tem a mesma profundidade e paixão do “Age Of Aquarius”.

Monsanto: Quando ele criou o Symfonia, eu fiquei curioso em ouvir por causa do time que ele conseguiu reunir, mas se formos comparar, o “Trinity” é uma obra-prima perto do “In Paradisum”, achei muito “piloto automático”...

É uma cópia do Stratovarius...
Monsanto: Ele conseguiu fazer um disco ruim mesmo com aqueles músicos! O disco do Symfonia é muito ruim! Não tem paixão nenhuma! Ou seja, na verdade, o Timo é um cara altamente manipulador, com uma capacidade de persuasão muito grande, mas que infelizmente, não usa isso de uma forma positiva. E acho que a questão da bipolaridade torna as coisas ainda piores!

Se ele te chamasse para trabalhar com ele de novo, você iria?
Monsanto: Olha, a gente teria que conversar muito sobre a questão da logística e todas as condições! Acho que a gente tem muito o que se falar, mas reconheço que, musicalmente, ter trabalhado com ele foi uma experiência muito boa para mim!

Vamos falar sobre seus novos projetos.
Monsanto:  Eu tive o privilégio de gravar com a banda Lord Of Mushrooms, que vai lançar o álbum “Perspectives” em fevereiro pela Lion Records, uma gravadora europeia. O estilo é progressivo, mas é difícil rotular, é bem moderno também. E de todos os discos que eu já fiz até hoje, é o meu favorito! O álbum foi mixado pelo Rich Chycki, que já trabalhou com o Rush, e a banda tem dois italianos e dois franceses, que moram em Mônaco. A capa foi feita pelo Travis Smith, que já trabalhou com o Nevermore e faz um excelente trabalho! Foi realmente muito especial para mim, apesar de não ter participado do processo de composição. Quando eu entrei, as músicas já estavam prontas e só gravei. Estou muito orgulhoso em participar! É totalmente diferente do Adagio e do Revolution Renaissance, mas é muito legal!

Monsanto: Minha outra banda é o Gunpoint, aqui do Brasil, que tem o guitarrista Bebeto Daroz - um músico sensacional! -, que vi em um barzinho na Lapa (RJ) quando eu estava junto com o Timo Tolkki e ficamos impressionados! Dali para frente mantive contato com ele e o chamei quando montei o grupo. Lançamos o EP “At Gunpoint” há pouco tempo e estamos trabalhando nisso.

Monsanto: E recentemente fui convidado para fazer um trabalho com o Herman Rarebell, que foi baterista do Scorpions, e fiquei muito lisonjeado! Ele está com uma nova banda e me chamou para ser o vocalista. Devo viajar agora no início do ano para gravar. Para mim é até meio surreal porque o Scorpions  sempre foi uma referência e cresci ouvindo a banda! Ele soube do meu trabalho com o Adagio e o Revolution Renaissance e me chamou! Estou muito feliz! Até porque eu estava um pouco desmotivado depois do desentendimento que tive com o Timo Tolkki na época do término do Revolution Renaissance. Eu, Bruno (baterista) e Santtu Lehtiniemi (guitarrista que gravou os solos) queríamos continuar com a banda, mas aconteceu tanta coisa negativa, problemas de bastidores, que acabamos abrindo mão. Mas somos muito amigos até hoje (eu, Bruno e Santtu), inclusive vou estar com o Bruno em Los Angeles onde ele está trabalhando como produtor do Steven Adler (ex-Guns’N’Roses). A vida continua e, geralmente, as pessoas associam o sucesso à questão financeira e vendagem de discos, e nesse aspecto, realmente o Revolution Renaissance não foi muito bem, mas ao olhar para trás e tendo feito dois discos tão bons, foi super positivo! Ter ido para o exterior novamente onde eu já tinha trabalhado com o Adagio, foi muito bom! Apesar dos problemas já citados, o Timo é um cara que fez uma grande carreira!

Com esses dois projetos no exterior e tendo uma banda no Brasil você tem possibilidade de crescer ainda mais sem perder a referência com o país que você vive...
Monsanto: Exatamente! Se eu estivesse morando no exterior, é claro que a minha carreira estaria bem mais longe devido à localização e a facilidade logística, mas eu perderia um pouco o contato com a minha família e pessoas daqui que eu gosto. A música é muito importante na minha vida, mas não é a única! A vida é fruto das nossas escolhas e eu curto fazer o que eu faço. Hoje, por exemplo, estou aqui para fazer um show tributo; outro dia eu viajo; depois faço um show com o Gunpoint; e bola pra frente!

Sua família é toda do Brasil?
Monsanto: Minha família é toda de Petrópolis/RJ.

Quem sabe o Gunpoint não arrisca uma carreira internacional...
Monsanto: Tem potencial para isso!

Da mesma forma que você poderia fazer shows no Brasil com essas duas novas bandas...
Monsanto: Com certeza! O importante é se manter na estrada, tocando.

Quais foram as suas maiores influências como vocalista?
Monsanto: Difícil responder, tem muita gente. E quando você canta, acaba sendo influenciado um pouco por tudo o que ouve. Tem alguns nomes que são mais significativos como o Glenn Hughes, Coverdale, Paul Stanley, Bruce Dickinson, Phill Lynott, Jeff Scott Soto - que eu tive a honra de substituir no Takara -, Jorn Lande também é muito bom, Kelly Sundown que está no Adagio agora, enfim, bastante gente. É importante valorizar os já consagrados, mas também ficar atento aos novos.

Como músico, como você avalia a cena metal no Brasil hoje?
Monsanto: Nossa, está complicado! Eu queria ter boas notícias, mas não tenho. Está um caos! Tudo o que o Edu (Falaschi) disse na Internet é real, a questão do Thiago (Bianchi) promover shows para fortalecer a cena também, porque na verdade, está tudo morto! Só que eu penso da seguinte forma: quando ocorre um tsunami e muitos morrem, tem um outro lado. Alguém sai ganhando com isso. Dizem que as mais belas estrelas nascem do caos, então a gente está passando por isso agora, mas as coisas vão mudar. Tem que mudar!

Nesse caso, a Internet seria uma faca de dois gumes, ao mesmo tempo que é excelente para a divulgação do seu trabalho, por outro lado, o público fica conectado direto ali e não vai aos shows?
Monsanto: Exato! E além disso, tem outras opções como games e vídeos. Há algum tempo atrás, as pessoas curtiam comprar os discos, ficar ouvindo, ir aos shows, mas hoje em dia, está complicado. As bandas grandes, que já tem anos de estrada e um nome consagrado, conseguem se manter, mas para quem está começando agora é bem mais difícil. Eu mesmo trabalho como produtor e tenho outras atividades além das minhas bandas.

O que poderia ser feito para mudar esse quadro?
Monsanto: Isso é resultado de uma evolução natural das coisas, mas foi ruim devido a algumas situações no passado. Por exemplo, no caso do Angra e Sepultura, eles se sobressaíram mas também sabotaram muitas bandas no decorrer da carreira. Na época do Max e da Glória (Sepultura), rolava muito isso. Eu toquei no Overdose que foi uma banda que teve muitas portas fechadas no exterior por causa deles. No caso do Angra, tinha a Rock Brigade, do Pirani, que destruía qualquer banda que soasse parecido com eles (Angra).

Mas o Felipe Andreoli (baixista) declarou que o Angra pode ter sido sabotado no Rock In Rio.
Monsanto: Eu tenho minha opinião formada sobre isso, mas prefiro não comentar. Os músicos do Angra são maravilhosos, a banda é excepcional, o talento de cada um ali é inquestionável! Mas o momento está ruim para todo mundo.

Na verdade, atualmente o Angra está no mesmo barco das outras bandas.
Monsanto: É um momento muito difícil para todos, mas as coisas têm que mudar! Não sou a mãe Dinah, mas algo vai acontecer! (risos)

Obrigada pela entrevista e sucesso com seus novos projetos!
Monsanto: Muito obrigado! A gente se vê nos shows!
 
Fonte: Whiplash
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