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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tema de Pokemon é o mais comemorado em festa dedicada a música de videogames

Video Games Live inclui trilha da série pela primeira vez e faz uma ode à cultura gamer

João Varella e Marcel Gugoni, do R7
 
Videogames Live - 2011 
Marcel Gugoni / R7
 
No Brasil, foi a orquestra Villa Lobos que deu som aos famosos jogos e suas trilhas sonoras 
na Video Games Live

Pikachu deu um pau em Mario, Zelda e Blanka juntos. Assim se pode resumir o show Video Games Live, que aconteceu em São Paulo na noite deste sábado (15) no teatro HSBC Brasil. Por mais que a proposta do concerto fosse apresentar músicas dos jogos eletrônicos tocadas por uma orquestra, a que mais foi festejada pela plateia foi do desenho animado japonês (anime) Pokemon.

No Brasil, coube à orquestra Villa Lobos tocar as músicas do show – incluindo Pokemon.


Justiça seja feita: Pokemon foi um anime pensado dentro da lógica dos videogames. Porém, as imagens usadas durante o show e as falas dos personagens citadas em uníssono pelos espectadores eram da animação televisiva, exibida pela primeira vez no Brasil na Rede Record e pelo Cartoon Network.

Tommy Talarico, o guitarrista, compositor de trilhas de videogames e mestre de cerimônia da Video Games Live, fez um teatro para representar que as pessoas o pediam há seis anos por músicas de Pokemon. Segundo ele, o Brasil, por ser a melhor plateia (“pode checar na internet que eu sempre digo isso”) iria ser o primeiro país a escutar as trilhas do anime que rendeu vários jogos.

Há seis anos que Talarico se apresenta no Brasil, sempre com trilhas inéditas. Há seis anos que ele repete grande parte de suas piadinhas também.

Além dos pokemons, Talarico disse que adaptou os telões que fazem parte importante do show com imagens do personagem Blanka, de Street Fighter 2, dando uma surra nos adversários. Blanka, único brasileiro em Street Fighter 2, é um monstro. Mas, talvez pelos clipes que eram colocados no show, teve seu nome entoado pela plateia, na música que abriu o show.

As lutas de Blanka, como todos os clipes exibidos, tinham uma precisão de edição fantástica, ligada com o exato compasso das músicas tocadas no palco. Todos os clipes tinham a edição muito adequada. Sempre com muitos cortes, mas com o humor na hora correta.

Para um pot-pourri das músicas de Zelda, a Video Games Live separou várias artes feitas por fãs. Para a música One Winged Angel, de Final Fantasy 7, uma das mais aclamadas pelos fãs da série, foram exibidas imagens de pessoas vestidas como os personagens do game (Cloud, Tifa, etc).

O experimentalismo com os telões no fundo do palco, que são parte do espetáculo, termina quando Russell Brower, compositor de trilhas de jogos da Blizzard e convidado especial do show, pisa no palco. Suas músicas não são lá grande coisa (nada tão marcante quando as trilhas do primeiro Diablo ou de Warcraft 2, embora Diablo 3 pareça ter nuances ricas), mas as imagens dos pequenos trailers da produtora a confirmam como uma empresa que não está a passeio no mercado.

A Blizzard parece pensar em cada enquadramento de suas animações com cálculos milimétricos. Junto com a Blizzard, Nintendo (Zelda, Mario) e Square Enix (Chrono Trigger, Final Fantasy) confirmam a lógica de que grandes jogos têm, necessariamente, uma grande trilha sonora.

E algumas delas são tão grudentas que a orquestra fica em segundo plano, como foi o caso da abertura clássica de Mario Bros. em que a plateia é quem faz a música, acompanhando Talarico com uma versão "à capela".

Pregação
A Video Games Live é uma ode à cultura do videogame. Nos intervalos entre as músicas, Talarico aproveitou para se manifestar contra as pessoas que tinham preconceito contra videogame, dizendo que é coisa de criança ou que as músicas são “beps” e “blops” incompreensíveis. O mestre de cerimônia defende que videogame é arte.

Para provar isso, ele chama a atenção para os clássicos estabelecidos e consolidados do gênero. No set-list estão previstas músicas de Mario Bros., Castlevania e Zelda, games cujas trilhas originais são feitas por “beps” e “bloops”.

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Músicas da série Super Mario teve até flautista e plateia cantarolando junto com a orquestra Foto: Marcel Gugoni/R7

O resgate vai além e o show investe cinco minutos em um vídeo com o pai dos videogames Ralph Baer, hoje com 89 anos, apresentando o jogo Pong. Engenheiro, Baer inventou nos EUA o primeiro videogame em 1966.

Talarico vai além e chama Baer, via Skype, para agradecer por ter dado origem à indústria de entretenimento que hoje movimenta mais dinheiro que o cinema. O público o aplaude de pé.

Mas a maior prova que trilha de videogame não é só feita de barulinhos é a própria orquestra. De trilhas que poderiam soar comumente em uma orquestra (a maior parte da Blizzard), os músicos tiveram que tocar trilhas com rítmica indiana (Chrono Cross), clássicos russos (Tetris) até rock pesadíssimo (Foo Fighters com a música The Pretenders, música baixável na série Guitar Hero).

Talarico apresenta as músicas de games como o estilo de música pop mais próximo do erudito.
- Se Beethoven fosse vivo hoje, com certeza ele seria compositor de trilhas de games.
Apesar da qualidade altíssima da orquestra, a Video Games Live não é para quem gosta de música clássica de forma ortodoxa - para ouvir o som sem interrupção e na mais pura imersão silenciosa. O público de videogame grita junto o tempo todo, sem contar que vive levantando o celular para filmar cada segundo do show.

Quem não tem cultura gamer não entende a maior parte das piadas. Por isso, a Video Games Live é um grande show para quem sabe alguma coisa de videogame. Para os que não entendem nada, o clima festivo faz valer a pena. Fato é que qualquer um na faixa dos 25 aos 35 anos é capaz de se emocionar e cantarolar junto com a plateia o tema de Mario Bros.

Fonte: R7
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