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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Hugo Boss admite colaboração com o nazismo

Hugo Boss admite colaboração com o nazismo
O fabrico de uniformes para as Waffen SS era um dos serviços que a Hugo Boss prestava à Alemanha nazi

A multinacional do ramo do vestuário decidiu finalmente enfrentar a sua história e encarregou um historiador de investigá-la. O livro foi ontem apresentado, com um pedido de desculpas da Hugo Boss, não só pelo papel que já se lhe conhecia no fabrico de uniformes nazis desde os anos 30, mas também pela exploração de trabalho forçado durante a Segunda Guerra Mundial.

O trabalho foi encomendado a Roman Koester, historiador militar da Universidade de Munique, e saíu com o título "Hugo Boss, 1924-1945: The History of a Clothing Factory During the Weimar Republic and Third Reich". A principal novidade da obra é a afirmação, provada e documentada, de algo que até aqui apenas se suspeitava: a Hugo Boss também se aproveitou da possibilidade de explorar trabalho escravo.

Koester cita o exemplo de 140 trabalhadores forçados oriundos da Polónia e o de 40 prisioneiros de guerra franceses. Segundo citação do diário israelita Haaretz, o historiador não deixa de procurar algumas atenuantes para a empresa: "Podemos apenas repetir que o comportamento em relação aos trabalhadores forçados era por vezes cruel e implicava coacção, mas também havia preocupação com o seu bem-estar, que torna impossíveis caracterizações simplistas". A alegada "preocupação" é exemplificada pelo autor com algumas alterações introduzidas nas condições de trabalho a partir de 1944, quando se avizinhava o final da guerra.

Koester indica que a empresa teve durante os anos do nazismo 15.000 fábricas e oficinas a produzirem uniformes. Apesar disso, considera não haver "indícios de que a companhia Hugo Boss tenha dsempenhado algum tipo de papel dirigente no ramo. E as fontes disponíveis tão-pouco indicam que de alguma forma tenha estado envolvida no design dos uniformes".

Por ter comissionado a investigação, a Hugo Boss pode agora, pelo menos, reclamar para si o mérito da transparência. Segundo o vice-presidente Philipp Wolff, "não queremos nem nunca quisemos esconder coisa alguma, antes pretendemos clareza sobre o passado. É nossa responsabilidade para com a empresa, para com os nossos empregados, os nossos clientes e todos os interessados na Hugo Boss e na sua história".

Em todo o caso, é forçoso constatar que a Hugo Boss não foi posta à prova por este estudo cheio de atenuantes de forma tão extrema como há uns anos o foi a Volkswagen. Esta tinha comissionado um estudo semelhante ao historiador Hans Mommsen e, desagradada com as conclusões, pretendeu depois impedir a publicação - em vão.

Fonte: RTP
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